A ultrassonografia na investigação de infertilidade é ferramenta central para avaliar estrutura e função do aparelho reprodutor feminino, orientando condutas e complementando exames laboratoriais.
Principais exames de ultrassonografia usados na investigação de infertilidade
A avaliação ultrassonográfica inclui múltiplos protocolos, escolhidos conforme queixa clínica e fase do tratamento. Entre os principais, destacam-se:
Ultrassonografia transvaginal basal
A ultrassonografia transvaginal feita nos primeiros dias do ciclo (geralmente dias 2 a 5) serve como exame baseline. Ela documenta:
- Contagem de folículos antrais (AFC) para estimativa de reserva ovariana.
- Volume ovariano e presença de cistos funcionais ou lesões.
- Aspecto uterino e espessura endometrial de referência.
Monitoramento folicular
Também chamado de tracking folicular, esse protocolo série acompanha o crescimento folicular e o desenvolvimento endometrial durante a fase folicular, essencial quando há indução de ovulação ou monitoramento de ciclos naturais.
Sonohisterografia ou saline infusion sonography (SIS)
A sonohisterografia é indicada quando se suspeita de alterações da cavidade uterina, como pólipos, sinéquias ou submucosos. A infusão de solução fisiológica melhora a visualização da interface endométrio-cavidade.
Histerossalpingografia por ultrassom (HyCoSy) e sonosalpingografia
Para avaliar a patência tubária sem radiação, utiliza-se contraste ecográfico (soro, espuma ou gel) durante a realização transvaginal. A técnica mostra passagem do contraste pela tuba e pode identificar hidrossalpinge.
Ultrassonografia 3D
A ultrassonografia 3D permite reconstrução do plano coronal uterino, melhor avaliando malformações uterinas e alterações da cavidade que nem sempre aparecem em 2D.
Doppler colorido
O Doppler avalia fluxo vascular uterino ou ovariano. Na investigação de infertilidade, seu papel é complementar, por exemplo contribuindo na avaliação do endométrio durante monitoramento ou em protocolos de reprodução assistida.
O que cada exame mostra e qual é o seu valor diagnóstico
Cada protocolo entrega informações específicas que, combinadas, orientam o diagnóstico e o plano terapêutico.
- AFC e volume ovariano: indicam reserva ovariana funcional, ajudando no planejamento de estimulação e na previsão de resposta aos medicamentos.
- Monitoramento folicular: documenta ritmo de crescimento folicular, momento da ovulação e resposta à indução da ovulação.
- Sonohisterografia: detecta pólipos endometriais, sinéquias e submucosos que podem impedir a implantação.
- HyCoSy/sonosalpingografia: avalia patência tubária de forma dinâmica, identificando obstruções ou hidrossalpinge que podem justificar procedimentos cirúrgicos ou técnicas de reprodução assistida.
- Ultrassom 3D: é especialmente valioso para caracterizar malformações uterinas e orientar indicação de correção por via cirúrgica quando necessário.
- Doppler: fornece informação sobre perfusão endometrial e vascularização ovariana, apoiando decisões em ciclos de reprodução assistida.
Uma avaliação ultrassonográfica estruturada integra morfologia e função, oferecendo ao médico elementos essenciais para definir exames complementares e estratégias terapêuticas.
Como e quando cada exame é realizado na prática
O timing e a preparação variam conforme o protocolo.
Fase basal
Exames basais como AFC e avaliação inicial do útero costumam ser realizados nos primeiros dias do ciclo menstrual para reduzir interferência de folículos dominantes ou acúmulo endometrial.
Durante estímulos ou tentativas naturais
O monitoramento folicular é seriado, com exames a cada dois ou três dias conforme a evolução. Já exames de cavidade e tubas são programados fora da fase ovulatória e após exclusão de gestação.
Preparação prática para pacientes e alertas
Orientações simples ajudam a realizar os exames com conforto e qualidade diagnóstica.
- Levar resultados de exames anteriores e laudos ultrassonográficos.
- Para ultrassonografia transvaginal, geralmente não é necessário jejum; siga as instruções fornecidas pela clínica.
- Para sonohisterografia ou HyCoSy, pode ser solicitado teste de gravidez negativo recente e informe qualquer quadro infeccioso vaginal.
- Espere desconforto leve ou cólicas durante procedimentos com infusão intrauterina; informe à equipe em caso de dor intensa.
Limitações da ultrassonografia na investigação de infertilidade e próximos passos
Embora essencial, a ultrassonografia tem limitações. Nem toda obstrução tubária é claramente caracterizada; alterações microscópicas do endométrio não são visíveis; e resultados devem ser interpretados junto com exames laboratoriais como dosagem hormonal e avaliação do parceiro. Em alguns casos, a histeroscopia ou laparoscopia permanecem como padrão para confirmação diagnóstica ou tratamento.
O plano ideal de investigação é individualizado. A integração entre história clínica, exames laboratoriais e protocolos ultrassonográficos definidos por médicas especialistas garante maior precisão na condução do caso. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.
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