Todos os artigos Blog

Ultrassonografia na investigação de infertilidade: quais exames são feitos e o que eles mostram

15 de julho de 2026 Clínica Magnificat 4 min de leitura

Guia prático sobre os principais protocolos de ultrassonografia usados na investigação da infertilidade feminina e o que cada exame revela para o raciocínio clínico.

Ultrassonografia na investigação de infertilidade: quais exames são feitos e o que eles mostram

A ultrassonografia na investigação de infertilidade é ferramenta central para avaliar estrutura e função do aparelho reprodutor feminino, orientando condutas e complementando exames laboratoriais.

Principais exames de ultrassonografia usados na investigação de infertilidade

A avaliação ultrassonográfica inclui múltiplos protocolos, escolhidos conforme queixa clínica e fase do tratamento. Entre os principais, destacam-se:

Ultrassonografia transvaginal basal

A ultrassonografia transvaginal feita nos primeiros dias do ciclo (geralmente dias 2 a 5) serve como exame baseline. Ela documenta:

  • Contagem de folículos antrais (AFC) para estimativa de reserva ovariana.
  • Volume ovariano e presença de cistos funcionais ou lesões.
  • Aspecto uterino e espessura endometrial de referência.

Monitoramento folicular

Também chamado de tracking folicular, esse protocolo série acompanha o crescimento folicular e o desenvolvimento endometrial durante a fase folicular, essencial quando há indução de ovulação ou monitoramento de ciclos naturais.

Sonohisterografia ou saline infusion sonography (SIS)

A sonohisterografia é indicada quando se suspeita de alterações da cavidade uterina, como pólipos, sinéquias ou submucosos. A infusão de solução fisiológica melhora a visualização da interface endométrio-cavidade.

Histerossalpingografia por ultrassom (HyCoSy) e sonosalpingografia

Para avaliar a patência tubária sem radiação, utiliza-se contraste ecográfico (soro, espuma ou gel) durante a realização transvaginal. A técnica mostra passagem do contraste pela tuba e pode identificar hidrossalpinge.

Ultrassonografia 3D

A ultrassonografia 3D permite reconstrução do plano coronal uterino, melhor avaliando malformações uterinas e alterações da cavidade que nem sempre aparecem em 2D.

Doppler colorido

O Doppler avalia fluxo vascular uterino ou ovariano. Na investigação de infertilidade, seu papel é complementar, por exemplo contribuindo na avaliação do endométrio durante monitoramento ou em protocolos de reprodução assistida.

O que cada exame mostra e qual é o seu valor diagnóstico

Cada protocolo entrega informações específicas que, combinadas, orientam o diagnóstico e o plano terapêutico.

  • AFC e volume ovariano: indicam reserva ovariana funcional, ajudando no planejamento de estimulação e na previsão de resposta aos medicamentos.
  • Monitoramento folicular: documenta ritmo de crescimento folicular, momento da ovulação e resposta à indução da ovulação.
  • Sonohisterografia: detecta pólipos endometriais, sinéquias e submucosos que podem impedir a implantação.
  • HyCoSy/sonosalpingografia: avalia patência tubária de forma dinâmica, identificando obstruções ou hidrossalpinge que podem justificar procedimentos cirúrgicos ou técnicas de reprodução assistida.
  • Ultrassom 3D: é especialmente valioso para caracterizar malformações uterinas e orientar indicação de correção por via cirúrgica quando necessário.
  • Doppler: fornece informação sobre perfusão endometrial e vascularização ovariana, apoiando decisões em ciclos de reprodução assistida.
Uma avaliação ultrassonográfica estruturada integra morfologia e função, oferecendo ao médico elementos essenciais para definir exames complementares e estratégias terapêuticas.

Como e quando cada exame é realizado na prática

O timing e a preparação variam conforme o protocolo.

Fase basal

Exames basais como AFC e avaliação inicial do útero costumam ser realizados nos primeiros dias do ciclo menstrual para reduzir interferência de folículos dominantes ou acúmulo endometrial.

Durante estímulos ou tentativas naturais

O monitoramento folicular é seriado, com exames a cada dois ou três dias conforme a evolução. Já exames de cavidade e tubas são programados fora da fase ovulatória e após exclusão de gestação.

Preparação prática para pacientes e alertas

Orientações simples ajudam a realizar os exames com conforto e qualidade diagnóstica.

  • Levar resultados de exames anteriores e laudos ultrassonográficos.
  • Para ultrassonografia transvaginal, geralmente não é necessário jejum; siga as instruções fornecidas pela clínica.
  • Para sonohisterografia ou HyCoSy, pode ser solicitado teste de gravidez negativo recente e informe qualquer quadro infeccioso vaginal.
  • Espere desconforto leve ou cólicas durante procedimentos com infusão intrauterina; informe à equipe em caso de dor intensa.

Limitações da ultrassonografia na investigação de infertilidade e próximos passos

Embora essencial, a ultrassonografia tem limitações. Nem toda obstrução tubária é claramente caracterizada; alterações microscópicas do endométrio não são visíveis; e resultados devem ser interpretados junto com exames laboratoriais como dosagem hormonal e avaliação do parceiro. Em alguns casos, a histeroscopia ou laparoscopia permanecem como padrão para confirmação diagnóstica ou tratamento.

O plano ideal de investigação é individualizado. A integração entre história clínica, exames laboratoriais e protocolos ultrassonográficos definidos por médicas especialistas garante maior precisão na condução do caso. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.

Se precisar de orientação personalizada ou agendamento, agende exame pelo WhatsApp da Clínica Magnificat para conversar com nossa equipe de médicas especialistas.

Artigos relacionados